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A baliza do lay-off

  • Foto do escritor: DesPorto
    DesPorto
  • 10 de abr. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 12 de abr. de 2020

Por: Lwezi Neves Correia


Pelo mundo espalha-se um novo vírus: o do lay-off. Alguns clubes de futebol portugueses avançaram com esta medida e podem ter mirado a bola para a própria baliza.


A meio da tarde de segunda-feira (dia 6), a Belenenses SAD anunciou publicamente que entraria em regime de lay-off. Sim, espantem-se. E não foi e nem será o único clube português a fazê-lo (entram para a lista a maior parte dos clubes de 2º divisão do campeonato). Sim, espantem-se outra vez. Com este lay-off, será permitido ao Belenenses uma poupança de pouco mais de €300 mil. Com este valor deverá repor os salários e saldar um pouco da sua dívida.


Em formação, seguiram-se o Chaves e o Penafiel, da II Liga. Porém, o presidente do Chaves garantiu que os vencimentos de março foram pagos na íntegra. E avisa que o Sindicato de Jogadores (SJ) já foi notificado da decisão tomada. Porém, quem não gostou muitos deste posicionamento sem antes ter sido consultado foi o presidente do SJ, Joaquim Evangelista. Mas antes de analisarmos cada lance, vamos tentar fazer uma pequena antevisão deste jogo. Agora jogado pelas direções dos clubes.


Tática de ataque: Lay-off super ofensivo


O que é um lay-off? Consiste na redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos efetuada por iniciativa das empresas durante um determinado tempo, devido a motivos de mercado; motivos estruturais ou tecnológicos; catástrofes ou outras ocorrências que afetem gravemente a atividade normal de uma empresa, como é o caso da pandemia do Covid-19. Assim, a empresa que recorra a este regime terá direito a um apoio financeiro, por trabalhador, destinado ao pagamento da respetiva retribuição. O lay-off no futebol implica uma redução de dois terços do salário mas a quantia recebida pelos jogadores não excederá os 1905€, que é, neste momento, três vezes o salário mínimo nacional. Os valores são íliquidos e a Segurança Social comparticipa com 70-75% da verba em causa. Sim, é um até já aos salários milionários. Ou não. Porque não são todos os clubes que vão adotar esta medida. Por exemplo, os três grandes que já vieram anunciar que farão somente uma redução de 50% dos salários.


Portanto, se formos analisar bem este lance feito já por três equipas portuguesas, podemos ver que ataca tanto ao Estado como também aos jogadores. É uma espécie de alivia dores (ou quem quiser, contas) do clube do futebol em prejuízo as contas do Estado. Talvez seja por isso, segundo declarações feitas ao jornal A Bola, que o presidente do SJ criticou fortemente esta tomada de decisão, afirmando que é ‘’falta de respeito para com os jogadores, é uma atitude que lesa todos os portugueses’’ e que devia ser considerado ‘’um abuso de direito e atitudes oportunistas dos clubes’’. Mas também é verdade que a Liga, a FPF e o sindicato ainda não deram nenhum parecer sobre o assunto e daí terem levado com este lance agressivo. Evagelista diz que esta decisão é unilateral e que desrespeita as outras entidades supra mencionadas.


Aplicação do golpe do mestre


Tanto a Belenenses SAD, como o Chaves e o Penafiel já vieram prestar declarações à comunicação social sobre o assunto. E o presidente da Belenenses SAD, Rui Pedro Soares, desvalorizou as críticas do Sindicato do Jogadores. António Gaspar Dias, presidente do Penafiel afirmou, à agência Lusa, que sentiu “a responsabilidade que o sindicato [SJPF] deveria ter e não teve". A verdade é que nem o Sindicato dos Jogadores, nem a Liga e nem FPF tomaram qualquer tipo de posição face a este assunto. Assunto este que deveria ser prioridade, visto que vai dar prejuízos às contas do Estado português.

Também o Leixões, juntamente com o Varzim, Académico de Viseu e o Portimonense estão a preparar-se para entrar neste regime. O Portimonense também faz parte da Liga I e ocupa 17º na tabela classificativa. Na realidade, tirando os 3 grandes, alguns acham que precisam deste regime para sobreviver à crise que se instaurou no futebol desde da chegada do novo coronavírus. O Sindicato de Jogadores chama oportunistas aos dirigentes dos clubes. Ainda bem que há limites nos valores suportados pelo Estado.


Situação complicada no meio campo


Pagar salários pode estar a ser visto como um obstáculo muito complicado a ser ultrapassado pelos clubes. As operadoras televisivas que detêm os direitos de transmissão de jogos já pagaram o referente ao mês de março mas já avisaram que não pagarão até o futebol regressar aos relvados. Esta parede defensiva é também suportada pelo marketing, publicidade e bilheteiras que de alguma forma ajudam na receita de um clube, visto que o bom funcionamento dos clubes está a sofrer com este bloqueio defensivo. A Liga afirma que já se perderam mais de €310 milhões com a crise provocada pelo Covid-19.

Com este andar oportunista por parte dos clubes, o Governo esvazia os bolsos, os portugueses também e o futebol fica manchado e rotulado por estas atitudes como quase hipócritas.

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